A sacralidade da vida: Sermão contra o aborto.
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- 11 de set. de 2023
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A sacralidade da vida Nenhum animal teve este privilégio. Segundo, colocando toda a criação debaixo do domínio do homem: Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, etc (Gn 2.26). Terceiro, criando homem e mulher à sua própria imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Os animais foram criados “segundo a sua espécie”, todos de uma só vez. Já o ser humano foi uma criação única, à imagem e semelhança do Criador. No momento da criação do homem a Trindade se reúne e delibera (no plural): Façamos o homem à nossa imagem. Veja os textos abaixo. Eu grifei as expressões que dignificam e sacralizam a vida humana.
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gênesis 1.26,27
“Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados.” Gênesis 5.1,2
“Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” Gênesis 9.6
“… que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.” Salmo 8.4,5
“… o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus” 1 Coríntios 11.7
“Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” Tiago 3.9
Repare em Gênesis 9.6 o motivo pelo qual nós não podemos tirar a vida de alguém: “porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. Por isso, não podemos tirar a vida do próximo. Atentar contra a vida do meu semelhante é, em primeira instância, atentar contra Deus, pois o meu próximo carrega consigo a imagem e a semelhança do Criador.
Por consequência, quando um aborto é realizado, a vítima do assassinato é uma criança que traz em si a imagem e semelhança de Deus. Isso é sério.
Princípios e Ensinamentos Bíblicos Relacionados ao Aborto
Uma vez que a prática do aborto deve ser avaliada à luz das Escrituras, os princípios e ensinos bíblicos a seguir oferecem orientações para a comunidade de fé e as pessoas afetadas por essas escolhas tão difíceis:
Deus exalta o valor e a santidade da vida humana. A vida humana tem imenso valor para Deus. Tendo criado a humanidade à Sua imagem (Gênesis 1:27; 2:7), Deus tem grande interesse pelas pessoas. Deus as ama e Se comunica com elas, e elas, por sua vez, podem amá-Lo e se comunicar com Ele.
A vida é um dom de Deus, que é o Doador da vida. Em Jesus está a vida (João 1:4). Ele tem vida em Si mesmo (João 5:26). Ele é a ressurreição e a vida (João 11:25; 14:6). Ele oferece vida em abundância (João 10:10). Quem tem o Filho tem a vida (1 João 5:12). Ele também é o Mantenedor da vida (Atos 17:25-28; Colossenses 1:17; Hebreus 1:1-3). E o Espírito Santo é descrito como Espírito de vida (Romanos 8:2). Deus Se preocupa profundamente com Sua criação e especialmente com a humanidade.
Além disso, a importância da vida humana é esclarecida pelo fato de que, depois da queda (Gênesis 3), Deus “deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Assim, a vida humana é de valor inestimável. Isso é válido para todas as fases da vida humana: crianças não nascidas, crianças de várias idades, adolescentes, adultos e idosos, independentemente das capacidades físicas, mentais e emocionais. Também é válido para todos os humanos sem distinção de sexo, etnia, condição social, religião e qualquer outra coisa que os diferencie. Tal entendimento da santidade da vida confere um valor inviolável e igual para toda e qualquer vida humana e exige que ela seja tratada com o máximo respeito e cuidado.
Deus considera a criança que não nasceu como vida humana. A vida pré-natal é preciosa aos olhos de Deus, e a Bíblia descreve o conhecimento de Deus sobre as pessoas antes que elas sejam concebidas. “Os Teus olhos me viram a substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Salmo 139:16). Em alguns casos, Deus deu instruções diretas em relação à vida pré-natal. Sansão deveria ser “nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe” (Juízes 13:5). O servo de Deus é chamado “desde o ventre” (Isaías 49:1, 5). Jeremias já havia sido escolhido como profeta antes de nascer (Jeremias 1:5), assim como Paulo (Gálatas 1:15), e João Batista seria “cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lucas 1:15). De Jesus, o anjo Gabriel explicou a Maria: “Por isso, também o Ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Em Sua encarnação, o próprio Jesus experimentou o período pré–natal humano e foi reconhecido como o Messias e Filho de Deus logo após ser concebido (Lucas 1:40-45). A Bíblia atribui alegria a uma criança que ainda não nasceu (Lucas 1:44) e até mesmo rivalidade (Gênesis 25:21-23). Aqueles que ainda não nasceram têm um lugar seguro com Deus (Jó 10:8-12; 31:13-15). A lei bíblica demonstra forte respeito pela proteção da vida humana e considera grave qualquer dano ou perda de um bebê ou de uma mãe como consequência de um ato violento (Êxodo 21:22, 23).
Deus é o Doador da vida e os seres humanos são Seus mordomos. As Escrituras ensinam que Deus é o Dono de tudo (Salmo 50:10-12). Deus tem duplo direito sobre os seres humanos. As pessoas pertencem a Ele porque Ele é o Criador. Portanto, Ele é Dono delas (Salmo 139:13-16). Também são Dele porque Ele é o Redentor e as comprou pelo preço mais alto, Sua própria vida (1 Coríntios 6:19, 20). Isso significa que todos os seres humanos são mordomos de tudo o que Deus lhes confiou, incluindo a própria vida, a vida das crianças e dos que estão em gestação.
A administração da vida também inclui assumir responsabilidades que de alguma forma limitam as escolhas pessoais (1 Coríntios 6:19-22). Sendo Deus o Doador e Dono da vida, os seres humanos não têm controle total sobre si mesmos e devem procurar preservar a vida sempre que possível. O princípio da mordomia da vida obriga a comunidade de fiéis a orientar, apoiar, amar os fiéis e cuidar aqueles que enfrentam decisões relativas à gestação.
A Bíblia ensina a cuidar dos fracos e vulneráveis. O próprio Deus cuida dos desfavorecidos e oprimidos e os protege. Ele “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; […] faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes” (Deuteronômio 10:17, 18, cf. Salmo 82:3, 4; Tiago 1:27). Deus não responsabiliza os filhos pelos pecados dos pais (Ezequiel 18:20) e espera o mesmo de Seus filhos. Eles são chamados a ajudar os vulneráveis e aliviar seu fardo (Salmo 41:1; 82:3, 4; Atos 20:35). Jesus falou dos pequeninos dentre os irmãos (Mateus 25:40), pelos quais Seus seguidores são responsáveis. Também mencionou os pequeninos que não devem ser desprezados, nem perdidos (Mateus 18:10-14). Os mais jovens de todos, ou seja, os que ainda se encontram dentro do útero, devem ser incluídos nesse grupo.
A graça de Deus promove a vida neste mundo manchado pelo pecado e pela morte. Faz parte da natureza de Deus proteger, preservar e sustentar a vida. Além de falar a respeito da providência de Deus sobre Sua criação (Salmo 103:19; Colossenses 1:17; Hebreus 1:3), a Bíblia reconhece as consequências amplas, devastadoras e degradantes do pecado sobre a criação, inclusive sobre o corpo humano. Em Romanos 8:20-24, Paulo descreveu o impacto da queda como uma sujeição da criação à decadência. Em consequência disso, há casos raros e extremos nos quais a concepção humana pode produzir gestações com perspectivas fatais e/ou anomalias agudas, que ameaçam a vida, colocando diante de indivíduos e casais dilemas excepcionais. Em tais casos, a decisão pode ser deixada para a consciência dos indivíduos e das famílias envolvidas. Essas decisões devem ser bem informadas e orientadas pelo Espírito Santo e pela visão bíblica da vida descrita acima. A graça de Deus promove e protege a vida. As pessoas que se encontrarem envolvidas nessas situações desafiadoras podem procurá-Lo com sinceridade a fim de encontrar direção, conforto e paz no Senhor.
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Pastor e Professor Onésimo Mesquita, Servo de Cristo, Bacharel em Teologia (FMB) Mestre em Teologia (FAETEO) Pós-graduado em ensino de Filosofia e Sociologia. Coordenador Pedagógico do IBBV (Instituto Bíblico Bela Vista). Estudos Missiológicos pela EMAD. Pastor da ADBV Industrial. É casado com Cibele Pinheiro, e seu filho se chama Sóstenes. Autor de O Discipulado da mente: a relevância de C.S. Lewis como mentor, Santorini.
Email: randeky@gmail.com



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