top of page

Resenha Crítica Teologia Contemporânea” de Abraão de Almeida.

  • Foto do escritor: Tempo de Entender
    Tempo de Entender
  • 23 de jun. de 2023
  • 8 min de leitura


Almeida, Abrão de, Teologia Contemporânea. A influência das correntes teológicas e filosóficas na Igreja. Rio de Janeiro. CPAD. 2014, 350 p.

Abraão de Almeida, autor de mais de trinta livros editados em português e em espanhol, foi ordenado pastor pela Assembleia de Deus em 1979, no Rio de Janeiro. Mestre em Teologia pelo Seminário Unido, no Rio de Janeiro. Doutor em Divindade honoris causa pela Faculdade de Administração Eclesiástica Batista das Américas, de Campinas, foi membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa de Letras Emílio Conde. Recebeu da Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), em 2002, o Prêmio Personalidade Literária (indicado pela CPAD) e o Prêmio Bíblia NVI. Fundou Igreja Evangélica Brasileira de Coconut Creek, Flórida, e dirigiu o Seminário Betel, com cursos presenciais e por correspondência. Atualmente é um dos pastores do Ministério Fronteira na Flórida, presidido por Álvaro e Elaine Cruz, seu genro e filha.


O livro Teologia Contemporânea está dividido em três partes num total de trinta capítulos. Na introdução Abrão de Almeida apresenta de forma sucinta e objetiva as filosofias antigas dos egípcios, sumerianos, acadianos, fenícios, hititas, medos e persas, denominando-as de filosofias embrionárias. Também, de forma bem objetiva, como filosofia do antigo oriente está a filosofia indiana e filosofia chinesa. Na primeira parte do livro, intitulada “no rastro dos pensadores” o autor traz a lume a Filosofia Grega, Patrística, Medieval, Escolástica, Renascentista e Moderna, além de abordar, também, A Lógica Formal, O Desenvolvimento da Lógica, A Metafísica, A Ontologia e A Teodiceia. De forma habilidosa, nos é exposto até aqui o que contribuiu e serviu de base, de alguma forma, para a formação da “Teologia Contemporânea”. Na segunda parte onde aborda a Teologia Contemporânea, os olhos do autor se voltam para as Teologias Pré-Contemporâneas, o Liberalismo Teológico, o Novo Modernismo, Novas Correntes Teológicas, o Movimento da Morte de Deus e o Falso Ecumenismo. A terceira e última parte ele trata do Liberacionismo Latino-Americano explorando os seguintes temas: Raízes Liberais e Ecumênicas, o Caráter e o Desenvolvimento, o Problema do Pecado, a Mensagem da Salvação, a Evangelização, o Problema da Pobreza, Liberdade e Libertação, a verdadeira Missão da Igreja, os Caminhos da Libertação, a Origem e o Caráter da Marxismo, o Estado e Esperanças Diferentes.


Sobre a filosofia grega o livro aborda pontos importantes em que percebemos a influência desta sobre a Teologia Contemporânea. Acerca do bem e do mal, Sócrates ensinou que todos os homens buscam o bem, que é sinônimo de felicidade. O mal, por sua vez, é consequência do vicio, que não passa de ignorância, uma vez que nenhuma pessoa, voluntariamente, pode praticar o mal. Com Platão, a filosofia retoma o caráter de universalidade, como ciência suprema, soberana, que domina todas as outras, tendo como objetivo a pesquisa perpétua da Verdade, da Beleza e da Bondade, através da qual o filósofo se eleva acima da vulgaridade. Para Aristóteles, a filosofia é a ciência de tudo o que existe e compreende três ordens de conhecimento: conhecimentos teóricos, que visam a pura especulação – física, matemática, metafísica; conhecimentos práticos, que têm por fim dirigir a ação - ética e política; e conhecimentos poéticos, que têm por fim dirigir a produção, isto é, as obras humanas – poética, retórica e as outras artes. Considera também como a verdadeira ciência do filósofo, a metafísica, ou filosofia primeira, mais tarde chamada de ontologia. O aristotelismo abrange a natureza de Deus (metafísica), do homem (ética) e do Estado (política). Para Aristóteles Deus não é o Criador, mas o primeiro e último motor do universo, ou seja, o motor não movido. Exceto Deus, toda e qualquer outra fonte de movimento no mundo, seja uma pessoa, uma coisa, um pensamento, é um motor movido, Assim, o arado move a terra, a mão move o arado, o cérebro a mão, o desejo de alimento move o cérebro, o instinto da vida move o desejo de alimento. Somente Deus não pode ser resultado de alguma ação, ele é a fonte de toda ação. Esta filosofia defendeu a teoria da contemplação de Deus como fim último e felicidade suprema do homem, sendo a virtude ou bem-fazer o meio de alcançá-la. Para Épicuro, fundador do epicurismo, a serenidade do sábio não deve ser perturbada pelo medo da morte, pois todo o mal e todo o bem se acham na sensação, e a morte é ausência de sensibilidade e de sofrimento. Dentro desse critério, nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós somos, ela não o é; e quando ela é, nós já não somos mais. Zenão de Cício, fundador do estoicismo, pretendia tornar o homem insensível a todos os males físicos e morais. Para ele a paz que nós almejamos e a independência que buscamos e a bem aventurança perfeita estão na indiferença absoluta por todos os prazeres e por todas as dores. De um modo singular, Abraão consegue em um apanhado de informações da filosofia grega demonstrar a fonte de muitas heresias existentes hoje.


Da filosofia patrística o autor destaca Agostino em sua luta contra o paganismo, procurando este defender o conceito de Deus e da alma, servindo-se de recursos intelectuais disponíveis, como a filosofia helenístico-romana. Ele afirmou que não se pode pregar o Evangelho sem as Sagradas Escrituras e sem uma fé viva nas verdades reveladas por Deus. A regra a seguir é compreender pra crer e crer para compreender. Diferente dos pais da igreja, que se propunham a compreender e formular a doutrina cristã, os escolásticos procuravam fundamentar e ensinar a doutrina da igreja como sistema científico. Tomás de Aquino, como expoente escolástico, afirma que o fim do homem é o aperfeiçoamento da própria natureza. Tal aperfeiçoamento, porém, só se cumpre em Deus.

Sobre a filosofia moderna, a obra destaca o racionalismo como uma doutrina segundo a qual há verdades a priori, universais e necessárias, independente da existência, e que afirma que a razão é inata, imutável e igual em todos os homens. Estabelece a autoridade da razão e rejeita a revelação sobrenatural. Já no empirismo a ênfase recai sobre as experiências como forma de adquirir conhecimento e não da razão do intelecto. No iluminismo as relações entre os homens são reguladas por leis naturais, a exemplo das que regulam fenômenos da natureza. Os homens em sua maneira de pensar eram todos bons e iguais perante a natureza. As sociedades é que provocam a desigualdade existente entre eles. Nesta filosofia moderna é nos apresentado o Marxismo, onde é ensinado que é o conjunto das relações de produção que constitui a estrutura econômica da sociedade.


A Metafísica também ganha destaque desde conceitos e seu propósito. Segundo Aristóteles ela é a ciência das primeiras causas e dos primeiros princípios. Desde a antiguidade se estudava a Metafísica como sendo “a ciência que estuda as verdades que estão além da Física”. Também chamada de “Filosofia Primeira”. Ao conjunto de 14 livros de Aristóteles, que vem após a Física, e que tratam notadamente da origem do movimento e da causa primeira do mundo, deu-se o nome de Metafísica. A Metafísica Moderna procura sustentar-se apenas em verdades garantidas pela razão ao contrário da metafísica medieval, que era uma especulação baseada na confiança no poder do intelecto, mas auxiliada pela fé. Para Comte a Metafísica estava destina a ser superada pelo conhecimento científico, ou seja, pelo positivismo, baseado no estabelecimento de leis referentes dos dados da sensação.


Abraão de Almeida, com muita perícia, conduz sua obra a fim de mostrar de forma clara como vãs filosofias e “teologias” estão sendo infiltradas no meio do Cristianismo, um exemplo claro é o Ecumenismo que tem como entidade promotora o Conselho Mundial de Igrejas – CMI. Os ecumenistas no anseio de promoverem uma religião unificada desprezam abertamente as doutrinas básicas dos evangelhos. E do ponto de vista de Roma o ecumenismo nada mais é do que a expansão de seu domínio mundial e o retorno ao seu seio dos “irmãos separados”. Outro exemplo é a “teologia da libertação” que não usa o termo “teologia” no seu sentido clássico, tradicional e técnico, como o estudo ou a ciência de Deus e o seu relacionamento com as suas criaturas. O temo é utilizado como uma reflexão crítica da práxis cristã à luz da palavra. Essa práxis é ação guiada pelo pensamento e comprometida com uma reavaliação constante de atitudes e teorias, e uma recondução de ações com base nessa reavaliação. Os liberacionistas dizem que a pobreza é expressão do pecado, que por sua vez é negação do amor. A pobreza é um mal. Eliminá-la é aproximar-se mais do momento de encarar a Deus face a face, em união com os outros homens.


A teologia da libertação prega libertar o homem do sistema opressor por meios políticos se valendo do comunismo como modelo ideal. Na teologia da libertação, a evangelização não se relaciona com o anúncio do plano divino de salvação nem com o ensinamento das Escrituras Sagradas como sendo todo o conselho de Deus para a nossa salvação eterna, mas com a práxis liberacionista, que contém uma interpretação política e ativista. Na práxis, deve-se, antes de tudo, pensar nos pobres, e depois entregar-se a uma reflexão crítica em busca das causas originais da pobreza e da opressão, questionando tanto o sistema econômico como a Igreja nos seus ensinamentos teológicos e nas suas práticas sociais. A transformação, libertação e salvação pregada pela teologia da libertação está longe do que Cristo ensinou, para ela a salvação acontece quando conseguirmos construir uma sociedade igualitária, acabando com a pobreza, para isso, se preciso for usando até de violência. Essa libertação acontecerá quando as ideias do marxismo forem implantadas. Mas a salvação e libertação oferecidas pelo Cristianismo é totalmente diferente, primeiro não é fruto da ação humana, mas sim divina, e o Senhor não veio pra enfrentar governos humanos, mas veio pra derrotar as forças do diabo. Vemos assim que a teologia da libertação é totalmente antibíblica. É impossível unir a fé cristã ao marxismo ateu. Ninguém pode ser, cristão e materialista; ninguém pode ser, ao mesmo tempo, crente e ateu.


A missão da igreja é anunciar o evangelho e não pregar ideologias políticas. O Evangelho se encarregará de melhorar o indivíduo e, consequentemente a sociedade. A injustiça social é consequência do pecado arraigado no coração humano. Não basta condenar o pecado é preciso, antes, anunciar ao pecador o remédio contra o pecado, que é sangue de Jesus. Somente um arrependimento sincero, através da aceitação plena da verdade evangélica, introduzirá o pecador numa nova maneira de viver, não mais segundo o curso deste mundo, mas segundo a graça divina. A mensagem libertadora da Teologia da Libertação não leva em conta os fundamentos bíblicos da verdadeira liberdade, conforme ensinou Jesus. A verdadeira Igreja de Cristo não se conforma com este mundo, não usa as armas mundanas para reformar a sociedade, não busca implantar aqui na terra o seu paraíso.


Esta obra, Teologia Contemporânea, nos traz informações preciosíssimas. Vivemos em um tempo marcado pelo desinteresse de muitos cristãos em relação às doutrinas básicas do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e como diz as Sagradas Letras “o meu povo perece por não conhecer...”, Satanás sabendo disso está usando de sutilezas no meio evangélico para desviar do caminho os servos de Deus. Tendo isso em mente defendo que a leitura deste livro esteja nos mais diversos grupos, pastores, professores da escola bíblica dominical, seminários, estudantes do ensino médio, universitários. “Teologia Contemporânea” é uma ferramenta ou uma vacina contra as vãs sutilezas que adentram cada fez mais no meio cristão. Abraão de Almeida nesta obra, com muita perícia, consegue nos levar a um entendimento que por muitos passam despercebido, nos abre os olhos para heresias bem presentes, mas que por falta desse conhecimento apresentado no livro, nos passam, às vezes despercebidos. O autor consegue atingir o objetivo de tanto informar, como despertar mais ainda a curiosidade e o estímulo para um aprofundamento sobre os diversos assuntos retratados na obra. São temas urgentes e sérios que todo crente na pessoa bendita de Jesus Cristo necessita conhecer.


__________________________________________________________________________________


Marcos Venicio, Servo de Cristo, Licenciado em Letras pela UVA, especialista em teologia do Novo Testamento pela FABAD, Mestre em Teologia pela FAETEO.


Email: marcos.escolhido@hotmail.com

Comentários


logo-tempo-de-entender.png

Todos os direitos reservados Railson Alves, marketing e design - 2023.

bottom of page